quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Deus é bom ou é mau?

Deus não é bom nem é mau. Ele é aquilo que Ele é, independentemente de adjetivos.
A noção de bem e mal deriva da subjetividade humana. São, portanto, substantivos inventados pelo homem.
No princípio, o que existe é somente o criador. Tudo passa a ser e existir a partir da livre vontade e inteligência do criador.
Sendo o criador o mais livre e inteligente ser, tudo passa a existir somente com sua aprovação ou consentimento. Logo, para Deus não existe mal nem bem.
A partir da criação, narrada no Gênesis, passam a existir, além de Deus, outros seres e fatos relacionados a estes seres, tendo tudo Deus por princípio e criador.
O ser humano é que, ao acordar na vida, descobre bem cedo, por meio de seus sentidos e de sua inteligência, o que lhe convém ou não convém. E então começa a servir-se de termos, como “bom” e “mau” para atribuir características e julgamentos aos outros seres. É no momento em que se inicia a comunicação do homem com seu mundo que começam a ser utilizados os termos da linguagem.
Também é no momento em que Deus inicia sua comunicação com o homem, por meio da linguagem, que se inicia a longa odisséia dos termos “bom” e “mau”.
Primeiramente, os referidos termos são utilizados na revelação bíblica como adjetivos, por exemplo: “Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.” (Gn 1, 4). Da necessidade de dar nome às coisas, de lançar julgamento sobre as coisas e de separá-las para o conhecimento humano, é que surgem os termos que estamos tratando. Posteriormente, com o avançar da comunicação criador/homem, tais termos evoluir-se-ão para substantivos “bem” e “mal”. “O homem tornou-se como um de nós, conhecedor do bem e do mal.” (Gn 3, 22).
Para se comunicar com o homem, o criador serve-se da linguagem humana e de seus termos, daí o emprego dos conceitos de bem e mal, que são invenções humanas.
Reitera-se que o que existe são seres distintos entre si. A comunicação bíblica fora agrupando todos os seres no conjunto das coisas boas (o bem) ou no conjunto das coisas más (o mal). Pretendeu-se estabelecer a dualidade, porque é justamente esta dualidade a primeira percepção humana – que se dá pelos sentidos, e que poderíamos tentar traduzir para: o que convém e o que não convém ao homem. Assim se inicia o mundo subjetivo e todo o resto será considerado a partir desta subjetividade. Também a tentativa de explicar a origem de todos os seres é operada racionalmente pelo homem a partir de sua subjetividade com o bom e o mau, o bem e o mal.
Para comunicar-se com o homem e ingressar em seu mundo, o criador também utilizará destas ferramentas. Ao longo desta odisséia de revelações surgirão as coisas boas e as coisas más.
No mais profundo, bem e mal estão unidos no mesmo ser e princípio de tudo e não são designados por bom ou mau.
Repete-se que, no princípio, só Deus existe. Uma diversidade e multiplicidade de seres vai surgindo a partir de Deus. Com certeza porque Deus é imenso e abriga/suporta tal diversidade, e porque cada ser tem sua origem num determinado ponto da divindade onde nenhum outro ser se origina.
Dessa forma, pode-se dividir a divindade em regiões divinas. Cada ser tem sua origem numa determinada região divina. E, pode-se agrupar as regiões divinas em regiões maiores e mais abrangentes.
No universo da revelação cristã, todas as coisas foram agrupadas em dois grandes grupos: o bem e o mal. Donde se pode verificar que a origem dos dois grandes grupos, que está em Deus, pois no princípio somente ele existe, trata-se de duas grandes regiões divinas: a região que originou o bem e a região que originou o mal.
Na revelação divina, Deus dirá o que é bom e o que é mal, segundo seu juízo. Dirá o que constitui o bem e o que constitui o mal. Deus exortará para que se pratique o bem nas atitudes humanas e se abstenha de praticar o mal. Traçará normas de agir, que são os mandamentos, sendo normas coercitivas, que prevêem a penalidade para violação.
Entretanto, ao mesmo tempo, não deixará de mostrar na mesma revelação que também o mal ganha terreno e espaço diante de si (Deus).
A grande questão que se coloca é: Pra quê traçar os Mandamentos de forma coercitiva, se permitira a existência e surgimento do mal? O que ilustra bem esta questão é a passagem do Evangelho: “ele é bom para com os ingratos e para com os maus” (Lc 6, 35). “Amai vossos inimigos... para que sejais filhos de vosso Pai celeste que faz nascer o sol para os maus e os bons e faz cair a chuva sobre os justos e os injustos” (Mt 5, 44.45).

Hipóteses:

- Em relação a si próprio, Deus não é bom nem mau, é o que é.

- Em relação ao homem, Deus quer ser visto como bom.

- Tanto o bem quanto o mal, conformes o julgamento humano, são seres criados por Deus.

- Ao traçar os Mandamentos, Deus propõe ao homem reaver seu (do homem) conceito de bem e mal e se propõe como a nova definição de bem.

- Segundo a primitiva noção humana de bem e mal, bom e mau, Deus é bom e mau.

- Segundo a proposta divina de ser ele mesmo o bem, Deus é somente bom.

- Não interessa para uma sana teologia os conceitos de bem e mal, nem o emprego dos adjetivos bom e mau.

- Segundo uma sana teologia, os Mandamentos devem ser praticados não porque são bons ou constituem bem, mas simplesmente porque o criador do homem os recomenda. Ninguém mais conhecedor do homem e de sua natureza que seu criador.


            A partir deste ponto, nossa teologia vai eliminar os termos bom, mau, bem, mal, justiça e injustiça. Adotará, ao invés, os termos “pode” e “não pode”.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

MANIFESTO 02/2016 – Sobre a relação com a Diocese de Campos

De nossa parte, NÃO VAI HAVER PAZ COM A DIOCESE DE CAMPOS, igreja maldita.


Santo Antônio de Pádua – RJ, 29 de agosto de 2016.



Vitor José Faria de Oliveira

Tradicionalismo Católico Sempre - TCS

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Comentário sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia - Data: 29/07/2016

Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica, o Catecismo pós-Conciliar:

"O objeto da escolha por si só pode viciar o conjunto de determinado agir. Existem comportamentos concretos - como a fornicação - cuja escolha é sempre errônea, pois escolhê-los significa uma desordem da vontade, isto é, um mal moral." (n. 1755).

"É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem." (n. 1756).

Conclusão 1: O Catecismo amarrou a situação de tal forma que não deixou qualquer brecha para o que se pretendeu fazer por meio da Amoris Laetitia. Nota-se a maneira de falar do Catecismo e sua insistência.

"O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente" (n. 2384).

"O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental." (n. 2390).

Conclusão 2: Mais uma vez o Catecismo não deixou brechas!!!

A partir de agora farei algumas comparações. Peço que não sejam entendidas como apologia ao pecado, mas apenas como o Catecismo da Igreja Católica se manifestou para cada caso, prevendo possíveis atenuantes, excepcionalidades ou condicionantes:

1- Sobre a masturbação:

"Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral." (n. 2352).

2- Sobre a prostituição:

"Se é sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição, a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade da falta." (n. 2355).

3- Sobre a homossexualidade:

"Um número não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta." (n. 2358).

"As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã." (n. 2359).

4- Sobre a luxúria, a fornicação, a pornografia e o estupro:

O Catecismo da Igreja Católica não prevê qualquer atenuante, excepcionalidade ou não imputabilidade para estes tipos de pecado, conforme os nn. 2351, 2353, 2354 e 2356, respectivamente.

"O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo" (n. 2351).

"A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana... Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens." (n. 2353).

"A pornografia... Ela ofende a castidade porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar... As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos." (n. 2354).

"O estupro... É sempre um ato intrinsecamente mau." (n. 2356).

Conclusão Geral: Há pecados graves para os quais a dogmática católica e a Lei Natural não preveem qualquer atenuante.

O Catecismo da Igreja Católica prever isto e não admite de forma alguma atenuante para certos tipos de pecado, inclusive para o que se pretendeu fazer por meio da Amoris Laetitia.

Porém, o Cardeal Christoph Schönborn evidencia não concordar com isto. E prova de sua postura e comportamento é o seu catecismo, feito de acordo com seu entendimento, o Catecismo Jovem da Igreja Católica (You Cat) - verdadeiro escândalo!

"Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento desordenado em si mesmo (como a mentira e a maledicência)." (n. 1753).

Volto a frisar:

"É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem." (n. 1756).


Att,


“A propósito destes condicionamentos, o Catecismo da Igreja Católica exprime-se de maneira categórica: «A imputabilidade e responsabilidade dum acto podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros factores psíquicos ou sociais».[343] E, noutro parágrafo, refere-se novamente às circunstâncias que atenuam a responsabilidade moral, nomeadamente «a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros fatores psíquicos ou sociais».[344] Por esta razão, um juízo negativo sobre uma situação objetiva não implica um juízo sobre a imputabilidade ou a culpabilidade da pessoa envolvida.[345] No contexto destas convicções, considero muito apropriado aquilo que muitos Padres sinodais quiseram sustentar: «Em determinadas circunstâncias, as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de maneira diferente. (…) O discernimento pastoral, embora tendo em conta a consciência rectamente formada das pessoas, deve ocupar-se destas situações. As próprias consequências dos actos praticados não são necessariamente as mesmas em todos os casos».[346]” (Amoris Laetitia, n. 302).

Neste número, o redator do documento deturpou e falsificou as citações do Catecismo da Igreja Católica, que não se referem aos divorciados recasados, mas sim a outros tipos de pecado.

Isto é uma sabotagem dos ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica. As citações que este número da Amoris Laetitia faz menção referem-se a outras realidades.


sábado, 26 de março de 2016

MANIFESTO 01/2016 – Sobre o convívio dos tradicionalistas com os progressistas

Verdade é que temos dentro de nós uma merda catinguda da qual nos envergonhar.

Reconhecendo isto, compreendemos que precisamos nos distanciarmos de outras merdas catingudas para não ficarmos ainda mais catingudos do que já somos.

Os progressistas exalam protestantismo, imoralidades, liberalismo moral, paganismo hodierno. Tudo isto faz mal aos tradicionalistas, pois, devido à nossa merda catinguda, temos tendência de copiarmos deles todas as suas desgraças e as implementarmos em nossa vida.

Por isso, o convívio dos tradicionalistas com os progressistas faz mal aos tradicionalistas, pois, em nossa miséria e podridão, temos tendência de copiarmos deles todas as suas novidades mais baixas.

Donde PROCLAMAMOS o distanciamento dos tradicionalistas em relação aos progressistas.

Quem não condena a imoralidade manifesta, e pior ainda, com ela colabora, torna-se cúmplice e artífice do mesmo delito.

PROCLAMAMOS o distanciamento eclesial em relação aos progressistas, para não nos tornarmos também progressistas e nem colaborarmos com suas tramóias.

O distanciamento eclesial difere do distanciamento social, embora seja uma forma dele. Isto, porque nos relacionamentos sociais devemos respeitar as diversidades culturais e antropológicas para convivermos em alguma paz. Porém, em matéria de relacionamento eclesial, entram em questão valores mais graves dos quais não se pode abrir mão. Não se pode pretender misturar valores religiosos e morais numa mesma sopa sem prejuízo para as partes.

PROCLAMAMOS a diferença e descomunhão, também dogmática, entre a Igreja Católica progressista e a Igreja Católica tradicionalista. Tem-se um abismo moral e de fé imenso entre ambas, para se considerá-las partes de um mesmo pacote.

Melhor é deixar de ser católico, se assim for necessário, do que ter que virar progressista para ser católico.

Esta Igreja progressista em comunhão com Roma é uma vergonha e um escândalo mundial imenso, para tentarmos engolir. Tal tentativa, seria suicídio.

Paz, Amor e Harmonia para todo mundo e para todos nós, porque todos nós precisamos. Mas cada um em seu canto, tendo respeitada sua liberdade e identidade, ao invés de ser coagido a tornar-se merda ainda mais catinguda.

CONDENAMOS as concelebrações de Padres tradicionalistas nas Missas Novas abusivas, por serem apoio a tais abusos e profanações e participação nestas abominações.

CONDENAMOS a falta de instrução de Padres tradicionalistas aos fiéis sobre os abusos da Missa Nova e por não instruí-los a não tomarem parte nestas profanações e sacrilégios.

CONDENAMOS a pretensão do clero tradicionalista em imitar costumes progressistas e induzirem os fiéis a adotarem tais costumes.

CONDENAMOS toda e qualquer tentativa de tornar as comunidades tradicionalistas em comunidades progressistas ou a elas semelhantes; seja de quem for, inclusive do Papa.

CONDENAMOS a proximidade eclesial dos tradicionalistas com os progressistas como algo extremamente danoso aos tradicionalistas.

Quem quiser morrer ou se matar, fique a vontade, mas pretender matar a fé e a piedade das pessoas é crime.


Santo Antônio de Pádua – RJ, 26 de março de 2016.



Vitor José Faria de Oliveira
Tradicionalismo Católico Sempre - TCS