sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A PROCLAMAÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

Toda Pura és Maria! E a mácula original não há em Vós!

1- A DOGMATIZAÇÃO NA IGREJA CATÓLICA

1) Os dogmas de fé são a Palavra de Deus escrita (Sagrada Escritura) ou transmitida (Sagrada Tradição).

No caso da Escritura, os dogmas estão expressos nos livros julgados como Inspirados pela Autoridade da Igreja Católica, isto é, nos livros que constituem a Bíblia Católica.

Já no caso da Tradição, os dogmas não estão necessariamente explícitos nos livros inspirados que constituem a Bíblia Católica, pois foram transmitidos oralmente ou por meio das práticas e costumes pelos apóstolos. Com o passar dos séculos, estes dogmas que não foram escritos pelos apóstolos foram, contudo, sendo escritos e testemunhados historicamente pelos Padres primitivos da Igreja, no período comumente denominado Patrística, que vai do final do século I (com a morte do último apóstolo, S. João) até o século VIII aproximadamente.

2) Os dogmas, sejam eles transmitidos por Escritura ou por Tradição, constituem o Depósito da Fé (Depositum Fidei), que encerra toda a Palavra ou Revelação de Deus confiada à Igreja de Jesus Cristo. Portanto, o Depósito da Fé da Igreja Católica é constituído ou alicerçado por dois pilares ou fontes: Escritura e Tradição. Ambas são igualmente as fontes da Revelação Cristã aceitas pela Igreja Católica. As duas fontes complementam-se mutuamente, e uma não existe sem a outra; ambas têm origem em Cristo e na sua Palavra. Nem toda a Revelação fora transmitida por escrito pelos apóstolos; e a primeira geração de cristãos ainda não contava com um Novo Testamento escrito.

O Depósito da Fé é o conjunto de todas as verdades reveladas, portanto é toda a Revelação; é a totalidade da Palavra de Deus, objeto de fé da Igreja; ou conjunto dos dogmas, que foi entregue à Igreja, mas que a Igreja vai conhecendo e ampliando seu conhecimento de forma gradual, por meio de infalibilidade. Todo o Depósito da Fé já está encerrado e completo após a morte do último apóstolo, tendo em vista que toda a Revelação de Cristo já fora comunicada. Cristo completa e encerra a Palavra de Deus.

3) Todos os dogmas sempre foram dogmas, isto é, sempre foram Palavra de Deus, mas nem sempre foram reconhecidos como dogmas (Palavra de Deus).

“Todavia, embora a Revelação esteja terminada, não está explicitada por completo; caberá à fé cristã captar gradualmente todo o seu alcance ao longo dos séculos.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 66).

A Teologia Católica se esforça para investigar o Depósito da Fé e descobrir o que realmente é dogma. Entretanto, a Teologia, como ciência humana da Palavra (Revelação) de Deus, não conta com infalibilidade. Somente a Autoridade da Igreja de Jesus Cristo (aquela que é sucessora dos apóstolos) possui infalibilidade para reconhecer que determinada sentença teológica é ou não dogma (Palavra de Deus).

4) Após um juízo definitivo da Autoridade da Igreja, os dogmas são tidos por tais e não podem mais ser postos em dúvida.

Ainda cabe lembrar que tudo o que a Igreja definira como verdade definitiva ou dogma de fé ela ligou como ensinamento e objeto de fé irreformáveis (irrevogáveis). Logo, nem a própria Igreja tem poder para desligar o que ligara como definitivo e irreformável.

Isso ocorre porque, quando fora feito o processo de ligação ou dogmatização, a Igreja, no uso de seu direito concedido pelo próprio Cristo, apelou para a infalibilidade, que culminou numa ligação irreformável, definitiva e infalível, por força divina, e não por competência e sabedoria humanas.

O processo de dogmatização nada mais é que um julgamento com emissão de sentenças definitivas e infalíveis pela Autoridade da Igreja, expondo o entendimento da Igreja acerca de conteúdos das fontes da Revelação (Escritura e Tradição) ou acerca de controvérsias que se levantaram por diversos motivos; as proposições e doutrinas contrárias à definição dogmática são definitivamente rejeitadas e condenadas. Por meio da dogmatização, a Igreja reconhece definitivamente como divinamente revelado o que de fato fora realmente revelado por Deus.

“ ‘Fica, portanto, claro que segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal modo entrelaçados e unidos que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas.’(Dei Verbum, 10)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 95).

5) Para definir um dogma como divinamente revelado, a Igreja apela para sua prerrogativa de Juíza e Intérprete Infalível da Palavra de Deus (Revelação), a ela confiada, conforme os poderes que Cristo concedera à sua Igreja.

“ ‘O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo’ (Dei Verbum, 10), isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 85).

Os dogmas exigem assentimento de fé definitivo (ou irrevogável), logo, após o juízo definitivo da Igreja, não podem mais ser postos em dúvida ou desacreditados. As verdades definitivas, como foram ligadas e definidas pela Igreja como definitivas e irreformáveis, uma vez que seja, não podem ser revogadas, reformadas ou revistas. Por isso, na Igreja, a heresia, que é a contrariedade insistente a qualquer dogma que seja, não ganha terreno. Se é herético não é da Igreja e se é herege não é católico.

6) Sendo Deus o autor de sua Palavra, escrita ou transmitida, dirigida aos homens; sendo esta palavra verdadeira, porque Deus é supremo, onipotente e onisciente, e por isso não precisa enganar-se nem enganar a ninguém; tendo Deus realmente transmitido sua Palavra, isto é, feito sua Revelação, aos homens, na história terrena destes; tendo Deus constituído para si uma Igreja obediente a ele, fiel guardiã de sua Palavra e meio de conciliação entre ele e os homens; e sendo o dogma a Palavra de Deus; logo, a Igreja de Deus somente pode ser uma religião fundamental e essencialmente dogmática (ou revelada), que adere definitivamente à Palavra do Deus que se revela. Portanto, absolutamente é impossível a verdadeira Igreja Católica ser uma religião relativista na sua doutrina de fé ou base de verdades.

2- FORMAS DE JUÍZOS DOGMÁTICOS DA IGREJA CATÓLICA

7) A Igreja Católica pode emitir Juízos Dogmáticos por meio de uma das três formas: 1- O Papa quando se pronuncia ex cathedra (juízo solene); 2- Um concílio ecumênico quando se pronuncia solenemente (juízo solene); 3- O magistério ordinário e universal da Igreja (juízo não solene).

No caso do magistério ordinário e universal da Igreja, o juízo pode ser declarado formalmente, porém sem solenidade, pelo conjunto dos bispos com o Papa, simultânea ou gradualmente. Neste caso, os bispos podem estar dispersos pelo mundo, e não necessariamente reunidos num concílio; também neste caso, o juízo dos bispos pode ocorrer em intervalos de tempo distintos, e não necessariamente no mesmo instante ou na mesma circunstância. A constatação da sentença definitiva ocorre com base no teor das palavras utilizadas, na frequente declaração da mesma doutrina e nas circunstâncias em que os bispos interceptam.

Também são expressões do magistério ordinário e universal da Igreja aqueles juízos definitivos que se manifestam não por meio de declarações formais, mas por meio de práticas da Igreja testemunhadas por tradição ininterrupta, baseadas na revelação conhecida, e sempre tidas como práticas necessárias à salvação eterna. Neste caso, a doutrina definitiva está implícita em práticas de fé, e não explícita em declarações formais. Para que a doutrina implícita em tais práticas da Igreja seja considerada definitiva e infalível, é necessário preencher os requisitos: 1) A prática que condiciona a doutrina é testemunhada por tradição ininterrupta; 2) A prática que condiciona a doutrina é baseada nas fontes da Revelação; 3) A prática que condiciona a doutrina sempre fora tida na Igreja como necessária à salvação eterna. A Congregação para a Doutrina da Fé, por meio da Nota doutrinal explicativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei, na nota 27 do número 9, afirma que esta doutrina infalível implícita numa prática de fé, embora possa não ter sido declarada explicitamente, contudo, deve ser tida com objetivamente proposta pelo inteiro corpo episcopal.

“Tenha-se presente que o ensinamento infalível do Magistério ordinário e universal não é proposto apenas através de uma declaração explícita de uma doutrina para se crer ou admitir definitivamente, mas também através de uma doutrina contida implicitamente numa praxe de fé da Igreja, proveniente da revelação ou, em todo o caso, necessária à salvação eterna, e testemunhada por uma Tradição ininterrupta: tal ensinamento infalível é para se considerar como objectivamente proposto pelo inteiro corpo episcopal, entendido em sentido dicrónico, e não necessariamente apenas sincrónico. Além disso, a intenção do Magistério ordinário e universal de propor uma doutrina como definitiva geralmente não é ligada a formulações técnicas de particular solenidade; basta que resulte claramente do teor das palavras utilizadas e seus contextos.” (Congregação para a Doutrina da Fé, Nota Doutrinal Explicativa da Fórmula Conclusiva da Professio Fidei, n. 9, nota 27, 29 jun. 1998, grifos nossos).

3- DECLARAÇÃO DOGMÁTICA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

8) Embora o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora sempre esteve implícito em práticas de fé da Igreja Católica, e assim, testemunhado por tradição ininterrupta; e os próprios católicos se baseassem na Revelação para professarem esta verdade; contudo, antes da declaração dogmática de Pio IX em 8 dez. 1854, não era tido pela Autoridade da Igreja como uma verdade na qual todos devessem crer. Isto é, a adesão a esta verdade, bem como as práticas que continham implícita esta verdade, não eram consideradas necessárias ou indispensáveis para a salvação eterna e a correta profissão de fé católica. Dessa forma, a própria Autoridade da Igreja (até a data da dogmatização) permitia disputas e controvérsias a respeito do conteúdo, que de fato ocorreram ao longo dos séculos.

9) Portanto, o juízo que considerou como dogma de fé e verdade definitiva a Imaculada Conceição de Nossa Senhora ocorreu na modalidade solene com o Papa falando ex cathedra.

“Para a honra da santa e indivisa Trindade, para adorno e ornamento da Virgem Deípara, para exaltação da fé católica e incremento da religião cristã, com a autoridade do nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e nossa, declaramos, proclamamos e definimos:

a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha da culpa original,

é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis.

Portanto, se houver quem presuma – o que Deus não permita – pensar no coração diferente do que foi por Nós definido, tais tomem conhecimento e saibam que, condenados por seu próprio juízo, naufragaram na fé e estão separados da unidade da Igreja, e ainda incorreram automaticamente nas penas estabelecidas pela lei, se se atreverem a manifestar por palavra, por escrito ou de qualquer outro modo externo, o que pensam no coração.” (Pio IX, Bula Ineffabilis Deus, 8 dez. 1854, Dez. Hün. 2803.2804).


Ave, ó cheia de Graça!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA (1917)

Dizia o Papa Paulo VI na sua encíclica Populorum Progressio (26 mar. 1967), n. 76:

As excessivas disparidades econômicas, sociais e culturais provocam, entre os povos, tensões e discórdias, e põem em perigo a paz. (...) Combater a miséria e lutar contra a injustiça, é promover não só o bem-estar mas também o progresso humano e espiritual de todos e, portanto, o bem comum da humanidade. A paz não se reduz a uma ausência de guerra, fruto do equilíbrio sempre precário das forças. Constrói-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justiça mais perfeita entre os homens.”.

1) A partir da feliz e muito pertinente colocação deste Papa, vemos que as excessivas desigualdades econômicas, sociais e culturais provocam conflitos de interesse, discórdias, revoluções e guerra entre as pessoas e povos. Logo, a causa de tantos males não pode ser um bem, mas apenas um mal ainda maior. Significa dizer que essas desigualdades não têm como serem coisas boas, mas apenas males.

2) Verdadeiramente, ninguém escolhe nascer rico ou pobre, forte ou fraco. Alguns chegam a pensar: Então que mal ou problema há nisso, nessas desigualdades? Tal indiferença ou insensibilidade diante dos problemas e defeitos que ocorrem naturalmente na própria Terra, e em suas leis físicas e biológicas, só pode exteriorizar-se a partir de uma mentalidade conformista com os males e desgraças dos outros. Dessa mentalidade, também seríamos obrigados a deduzir: Para que serve a medicina se um dia todos terão que morrer? É evidente que esta mentalidade conformista não é boa ou vantajosa para os pobres e fracos, mas só traz vantagens para os ricos e fortes.

3) Coexistem o luxo e a miséria. Esta realidade é certa, é justa? Não, isto absolutamente não é justo. Trata-se da Injustiça Social. Mesmo que a riqueza e o luxo tenham sido conseguidos honestamente e com muito trabalho, tal realidade não é justa e não pode ocorrer. Coloquemo-nos no lugar dos desavantajados, sejam por causa das leis injustas da biologia e da física, sejam por causa da opressão dos mais fortes, sejam por causa da situação de escravidão em seu trabalho; ninguém quer ficar na ponta de baixo da pirâmide social, ninguém quer ser menos que ninguém, ninguém quer ser explorado e aprisionado, ninguém quer ter que viver na miséria enquanto outros podem e vivem de fato no luxo; ninguém quer morrer de fome para dar uma vida luxuosa a outros. Isso é tão verdade, que recebemos como resposta de muitos ricos: Vá trabalhar vagabundo! Vá pescar o peixe! Vá fazer como eu fiz que você sairá da miséria e terá as coisas que deseja ou precisa! Quanta estupidez! Se esta fosse a receita mágica, não haveria o problema da Injustiça Social. Será que todos os pobres e miseráveis são vagabundos ou trabalham pouco? Dou-me o direito de perguntar: Será que cada um recebe um salário proporcional ao seu trabalho? Será que todos os ricos trabalham mais que todos os pobres e miseráveis? Será que somente os ricos sabem administrar seu dinheiro, enquanto os pobres e miseráveis gastam com a cachaça?

4)Todos nós podemos compreender que o universo material, o planeta Terra e tudo que ele contém são coisas limitadas. Todos nós, seres vivos e não vivos que habitamos a terra somos limitados. O que equivale a dizer que o meio ambiente é limitado, não é infinito, pois o nada não gera ser algum. Conforme Lavoisier e a Primeira Lei da Termodinâmica, na natureza material, que uma vez foi criada, nada se cria e nada se perde; tudo se transforma. Daqui compreendemos bem que o nada não gera o ser e que o meio ambiente e todo o universo são limitados. O cosmos não é infinito, mas limitado. Dessa forma, fica evidente que a riqueza e o luxo de uns é a miséria e a pobreza de outros. Quem tem mais correu na frente e apoderou-se dos recursos naturais do planeta, gerando ou transformando riqueza para uso próprio. Quem tem menos chegou depois e não encontrou mais recursos naturais suficientes para si, porque alguém chegou antes e pegou a melhor parte. São como os prêmios jogados em avanço na multidão. Uns conseguem bens e outros ficam de mãos vazias. É preciso que nos libertemos dessa lógica capitalista animalesca que está dominando nossas vidas, e assim, partilhemos o que não nos é lícito açambarcar.

5) Combater a miséria e lutar contra a injustiça é promover não só o bem estar mas também o progresso humano de todos e, portanto, o Bem Comum da humanidade, não bem apenas de uns e para uns. O objetivo da política e a razão de ser do Estado é o Bem Comum. É necessário que o progresso humano atinja todos os homens e mulheres. E esse progresso será promovido somente se combatermos a miséria e a injustiça social. Todo ser humano tem direito ao progresso econômico, social e cultural, porém o progresso de uns não pode mais significar estagnação e decadência de outros. O desenvolvimento é o novo nome da paz. Queremos o desenvolvimento de todos, sejam ricos ou pobres. Não podemos mais tolerar que uma classe de pessoas avantajada impeça que os outros alcancem seu status econômico, social e cultural, pois isso seria egoísmo. Como ser naturalmente social que é, o homem não pode ser egoísta. À medida que nós, caso sejamos ricos ou tenhamos mais, favorecermos, ao invés de impedirmos, o desenvolvimento dos pobres ou dos que têm menos, também nós não ficaremos sem ganhar nada, pois desenvolveremos nossa humanidade, nossa moralidade, nossas virtudes, agregaremos valor aos nossos atos, seremos mais maduros e mais heróis, a exemplo de Cristo, o homem Deus.

6) A paz não é a mera ausência da guerra, porque a ausência da guerra é fruto do equilíbrio precário entre forças. Para termos paz mais estável, colocamos outro fator, que é o desenvolvimento humano, necessário para se promover o Bem Comum. O desenvolvimento e o Bem Comum jamais poderão ser tidos por coisas já conseguidas, mas apenas como coisas que se consegue dia a dia. Da mesma forma, se constrói a paz dia a dia. Quanto mais perfeita a justiça reinante na sociedade, maior paz pode-se conseguir, porque sem justiça, não tem como haver paz. Portanto, sem Justiça Social, o que equivale a dizer sem equilíbrio econômico, social e cultural entre as pessoas, não vai haver paz. A história está aí nos mostrando a que a injustiça social leva os povos. Como exemplo, podemos citar a Revolução Russa de 1917, em que inúmeros e desastrosos desdobramentos ocorreram a partir da abundância e do luxo das cortes czarinas diante da fome e da miséria de camponeses, operários e militares pobres, os chamados “sovietes”, que originaram a União Soviética. Se queremos paz, queremos Justiça Social e, se queremos Justiça Social, queremos desenvolvimento humano.

7) Como já dissemos, o meio ambiente não é infinito, mas limitado. Assim, não há outro caminho para resolver o problema das excessivas desigualdades sociais e econômicas que não seja o seguinte: Quem tem mais deve doar livremente a quem tem menos; não a título de caridade, filantropia ou bela iniciativa, mas a título de justiça. Devemos ter em mente que só faremos isso se evitarmos o luxo e o consumismo que destrói a uma velocidade cada vez maior os recursos do meio ambiente. O que sobra aos ricos, não lhes pertence, mas é de direito dos pobres.

8) Um outro Papa, João XXIII, em 11 abr. 1963, assim dizia: “Atesta a experiência que, faltando por parte dos poderes públicos uma atuação apropriada com ‘respeito à economia, à administração pública, à instrução’, sobretudo nos tempos atuais, as desigualdades entre os cidadãos tendem a exasperar-se cada vez mais” (Encíclica Pacem in Terris, citada por Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 389). Donde resulta que os poderes públicos são responsáveis pelas desigualdades sociais, econômicas e culturais. Estas se fazem tanto mais intensas quanto maior é a negligência do Estado. Por isso, defendemos um Município, um Estado e um País que sejam fortes e grandes o suficiente para que, vencendo os interesses privados e capitalistas, impeçam as excessivas desigualdades.

Desenvolvimento é o novo nome da Paz! (Paulo VI, Populorum Progressio)

9) “Nossa Senhora disse que no mundo há muitas guerras e discórdias. As guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo. Nossa Senhora já não pode suster o braço de seu amado FILHO sobre o mundo. É preciso fazer penitência. Se a gente se emendar, ainda Nosso Senhor valerá ao mundo; mas, se não se emendar, virá o castigo. Nosso Senhor está profundamente indignado com os pecados e crimes que se cometem em Portugal. Por isso, um terrível cataclismo de ordem social ameaça o nosso País e principalmente a cidade de Lisboa. Desencadear-se-á, segundo parece, uma guerra civil de caráter anarquista ou comunista, acompanhada de saques, morticínios, incêndios e devastações de toda espécie. A capital converter-se-á numa verdadeira imagem do inferno.” (vidente Jacinta de Fátima).

10) “Os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne. Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo. Os pecados do mundo são muito grandes. Se os homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida. Os homens perdem-se porque não pensam na morte de Nosso Senhor e não fazem penitência. Muitos matrimônios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus” (vidente Jacinta de Fátima).

11) “Minha madrinha, não ande no meio do luxo; fuja das riquezas. Seja muito amiga da sana pobreza e do silêncio.” (vidente Jacinta de Fátima).

12) “dentro em breve levarei Jacinta e o Francisco. Mas você [Lúcia] ainda fica aqui por algum tempo. Jesus quer servir-se de você para me dar a conhecer e a amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.” (Nossa Senhora de Fátima, 13 de junho de 1917).

13) “Vocês viram o inferno onde caem as almas dos pobres pecadores. Para poder salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu lhes disser, muitas almas serão salvas e terão paz. A guerra está prestes a acabar; contudo, se não deixarem de ofender a Deus, durante pontificado de Pio XI começará outra, ainda pior. Quando vocês virem uma noite iluminada por uma luz desconhecida, saibam que isso é o grande sinal que Deus lhes dá antes de castigar o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome, e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para o impedir, eu voltarei a fim de pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem satisfeitos, a Rússia converter-se-á e haverá paz. Caso contrário, a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá de sofrer muito, várias nações serão destruídas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo um período de paz.” (Nossa Senhora de Fátima, citada pela vidente Lúcia de Fátima, Memórias).



Santo Antônio de Pádua – RJ, 07 de novembro de 2017 (centenário da Revolução Russa de 1917, centenário das Aparições de Fátima e 50 anos da Encíclica Populorum Progressio).

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Comentário sobre Amoris Laetitia de 31 out. 2017

Francisco insiste muito no tal Discernimento Pastoral das Situações Particulares – discernimento este a ser realizado pelos sacerdotes, segundo a orientação do bispo (cfr. AL, 300). Ele rejeita veementemente a aplicação de normas gerais, porque não aceita a religião dogmática. Ele defende o Relativismo Moral. Então ele serve-se maliciosamente de uma citação de Santo Tomás de Aquino para tentar mostrar que sua pastoral, negadora da existência dos atos intrinsecamente maus, tem fundamento: “Quanto mais se desce ao particular, tanto mais aumenta a indeterminação.” (AL, 304).

1- Rejeição da Religião Dogmática e o Relativismo Moral de Francisco

O sistema moral de Francisco é negacionista da Dogmática Católica e relativista, enquadrando-se no sistema do modernismo teológico, condenado no pontificado de Pio X (cfr. Decreto do Santo Ofício Lamentabili, 3 jul. 1907; Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 8 set. 1907):

“É mesquinho deter-se a considerar apenas se o agir duma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral, porque isto não basta para discernir e assegurar uma plena fidelidade a Deus na existência concreta dum ser humano.” (AL, 304).

“Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem.” (AL, 297).

“Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral.” (AL, 298).

“É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que ‘o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos’ as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos.” (AL, 300).

“A Igreja possui uma sólida reflexão sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes. Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação
chamada ‘irregular’ [pessoas legitimamente casadas na Igreja, divorciadas e em outra união marido/mulher] vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante.” (AL, 301, sublinhado e entre [ ] meus). Proposição Herética explícita!


“A partir do reconhecimento do peso dos condicionamentos concretos, podemos acrescentar que a consciência das pessoas deve ser melhor incorporada na práxis da Igreja em algumas situações que não realizam objetivamente a nossa concepção do matrimónio.” (AL, 303).

“Mas esta consciência pode reconhecer não só que uma situação não corresponde objectivamente à proposta geral do Evangelho, mas reconhecer também, com sinceridade e honestidade, aquilo que, por agora, é a resposta generosa que se pode oferecer a Deus e descobrir com certa segurança moral que esta é a doação que o próprio Deus está a pedir no meio da complexidade concreta dos limites, embora não seja ainda plenamente o ideal objectivo.” (AL, 303, sublinhado meu). Proposição Herética explícita!

“É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas
as situações particulares.” (AL, 304).


“Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas’.” (AL, 305).

“Por causa dos condicionalismos ou dos factores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio duma situação objectiva de pecado – mas subjectivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus [graça santificante ou graça da justificação], possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja.” (AL, 305, entre [ ] meus).

“Por pensar que tudo seja branco ou preto [verdadeiro ou falso, certo ou errado], às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus.” (AL, 305, entre [ ] meus).

2- Condenação da teologia moral do Papa Francisco

“Ao proscrever os erros, a Igreja não pode exigir dos fiéis assentimento interno algum para que abracem as sentenças por ela pronunciadas.” (Proposição 7 condenada por Pio X, Decreto Lamentabili).

“Cristo não ensinou um determinado corpo de doutrina para todos os tempos e todos os homens, mas antes iniciou algum movimento religioso adaptado ou adaptável a diversos tempos e lugares.” (Proposição 59 condenada por Pio X, Decreto Lamentabili).

“O objeto da escolha por si só pode viciar o conjunto de determinado agir. Existem comportamentos concretos - como a fornicação - cuja escolha é sempre errônea, pois escolhê-los significa uma desordem da vontade, isto é, um mal moral.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1755).

“É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1756).

“O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente: ‘Se o marido, depois de se separar de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero, porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra.’ (S. Basílio, Moral)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2384).

“O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2390).

3- A Igreja não tem autoridade para alterar, ou tornar mais liberal, ou menos restritiva, a Revelação Divina

“Esta revelação sobrenatural, pois, segundo a doutrina da Igreja universal, definida pelo santo Sínodo de Trento, está contida ‘nos livros e nas tradições não escritas que, recebidas pelos Apóstolos da boca do próprio Cristo ou transmitidas como que de mão em mão pelos próprios Apóstolos sob o ditado do Espírito Santo, chegaram até nós’ (Concílio de Trento, 4ª sess. 8 abr. 1546)” (Concílio Vaticano I, Constituição Dei Filius, Dez-Hün 3006).


Não obstante a tentativa do Papa Francisco, a Igreja somente pode emitir juízos morais e religiosos fundamentando-se na Revelação que de fato herdou e possui, e no seu conhecimento desta Revelação a partir dos seus [da Igreja] próprios juízos definitivos e infalíveis.

De fato, o Senhor Jesus Cristo instituiu o Juízo de sua Igreja como última instância neste mundo à qual o fiel pecador e o fiel lesado pudessem recorrer, conforme as palavras do próprio Senhor a seguir: “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.” (Mt. 18, 15-17).

Ao realizar o julgamento de um pecador, ou de uma ação concreta, ou de uma situação particular, com base na Revelação (Palavra de Deus) por si [pela Igreja] conhecida, não podem a Igreja e seus sacerdotes criarem novas normas ou direito novo de fazer e não fazer, porque embora a Igreja seja juíza infalível (Mt. 18, 17) e fiel guardiã da verdade (1 Tm. 3, 15), não é ela autora da palavra, cuja fonte e autor é Cristo.


Não cabe à Igreja criar direito novo como Amoris Laetitia (AL) pretende, tendo em vista já haver sentenças definitivas a respeito da matéria, desde a igreja primitiva, testemunhadas por tradição ininterrupta.


“Não viole os mandamentos do Senhor. Guarde o que você recebeu, sem nada acrescentar ou tirar” (Didaquê, século I, em A Fé Cristã Primitiva, n. 212).

“Guarda o que recebestes, sem nada acrescentar ou tirar” (Carta de Barnabé (131?), em A Fé Cristã Primitiva, n. 216).

“Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para um evangelho diferente. De fato, não há dois evangelhos: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo.” (Gl. 1, 6-10).

“Pois a doutrina da fé, que Deus revelou, não foi proposta como uma descoberta filosófica a ser aperfeiçoada pelas mentes humanas, mas foi entregue à Esposa de Cristo como um depósito divino, a ser por ela fielmente guardada e infalivelmente declarada. Daí que sempre se deve manter aquele sentido dos sagrados dogmas que a santa mãe Igreja uma vez declarou, e jamais, nem a título de uma inteligência mais elevada, é permitido afastar-se deste sentido.” (Concílio Vaticano I, Constituição Dei Filius, Dez-Hün 3020).

“Se alguém disser que, às vezes, conforme o progresso das ciências, se pode atribuir aos dogmas propostos pela Igreja um sentido diverso daquele que ensinou e ensina a Igreja: seja anátema.” (Concílio Vaticano I, Constituição Dei Filius, Dez-Hün 3043).

“Católica ou universal chama-se a Igreja porque se espalhou de um extremo a outro de todo o orbe da terra; porque ensina universalmente e sem falha todos os artigos de fé que os homens precisam conhecer, seja sobre as coisas visíveis ou as invisíveis, seja sobre as celestes ou as terrestres” (S. Cirilo de Jerusalém, Leituras Catequéticas, em A Fé Cristã Primitiva, n. 1915).

“A Igreja Católica, apostólica e romana não reconheceu as proposições escritas ou apregoadas pelos hereges e cismáticos” (Gelásio I, em A Fé Cristã Primitiva, n. 1930).

Se por causa de alguma coisa se deseja inferir exceções à Palavra de Deus em casos particulares; por ser ele o autor da palavra, o que é fato; então, é ao Juízo dele que se deve recorrer, o que será possível apenas após a morte do pecador. Ao discípulo, contudo, fora mandado ouvir a Igreja: “E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.” (Mt. 18, 17). Se, contudo, for possível aquele que é tido pela Igreja como pecador e mesmo excomungado (cfr. Mt. 18, 17; Gl. 1, 8-9) ser, no entanto, tido por Deus como fiel merecedor de glória eterna, isto somente poderá ser sentenciado no Juízo Particular (após a morte). Portanto, ao pecador que se mantém no pecado e deseja, apesar disso, a glória eterna, então que aguarde o Juízo de Deus após a morte, levando consigo a sentença da Igreja, pois “uma coisa é a causa dos que estão em vida, outra a dos defuntos” (Sínodo de Roma, Atas da absolvição de Miseno, 13 mai. 495). Mas não se esqueça do grande risco que corre e do efeito irreversível de sua escolha!!!

4- O que diz a Escritura

“Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: ‘É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?’. Respondeu-lhes Jesus: ‘Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu’. Disseram-lhe eles: ‘Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?’. Jesus respondeu-lhes: ‘É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério’.” (Mt. 19, 3-9).

“Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o por à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher. Ele respondeu-lhes: ‘Que vos ordenou Moisés?’. Eles responderam: ‘Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher’. Continuou Jesus: ‘Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa Lei; mas, no princípio da Criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu’. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto. E ele disse-lhes: ‘Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério’.” (Mc. 10, 2-12).

“Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também.” (Lc. 16, 18).

“Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.” (1 Cor. 6, 9-10).

5- O que diz a Tradição

“Contudo, se depois de ter repudiado sua mulher, ele se casar com outra, então ele também comete adultério.” (Hermas de Roma, O Pastor, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3654).

“Aos que, segundo a lei humana, contraem um segundo casamento (...) [são] culpados diante de nosso Mestre (...) Aquele que desposa uma mulher repudiada por outro [em razão de adultério], comete [também] adultério.” (S. Justino Mártir, 1ª Apologia, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3655).

“A Escritura diz: ‘Quem deixa sua mulher e casa com outra, comete adultério’, não permitindo deixar aquela cuja virgindade desfez, nem casar-se novamente.” (Atenágoras de Atenas, Súplica pelos Cristãos, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3657).

“No que concerne ao casamento, a Escritura estabelece manifestamente que não é permitido nunca a um dos cônjuges rompê-lo: ‘Não despedirás tua esposa, fora por motivo de infidelidade’. E ela declara adúltero o cônjuge que, vivendo com outro cônjuge, torna a casar-se” (S. Clemente de Alexandria, Estrômatos, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3659).

“A dureza do coração reinou até Cristo. A enfermidade da carne não terá durado senão até o Paráclito. A Lei Nova suprimiu o divórcio. A Nova Profecia, [suprimiu] o segundo matrimônio” (Tertuliano, Da Monogamia, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3661).

“Igualmente, a mulher cristã que tenha abandonado o marido cristão adúltero e quer se casar com outro: proíba-se-lhe o casamento. Se houver casado, não receba a comunhão antes do falecimento do marido que abandonou, a não ser que, por motivo de enfermidade, haja a necessidade de dar-lhe [a comunhão]” (Sínodo de Elvira, cân. 9º, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3662).

“Esposos separados não devem contrair outro casamento, mas devem se reconciliar ou viver como estando separados.” (Sínodo de Cartago XI, cân. 8º, em A Fé Cristã Primitiva, n. 3663).

Conclusão

Nem Papa Francisco nem qualquer autoridade eclesiástica tem o poder de autorizar na Igreja o divórcio, o adultério e a fornicação.


CONDENO e RECHAÇO todo o capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia como herético, com heresias explícitas e implícitas, e extremamente perigoso à Fé Católica e Apostólica, e à salvação eterna, do povo da Igreja de Cristo, baseando-me na própria Revelação Escrita e Transmitida, fielmente guardada e transmitida pela Autoridade da Igreja Católica, e nas próprias sentenças definitivas, infalíveis e irrevogáveis da Igreja.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

MANIFESTO 01/2017 – Sobre supostas heresias na Exortação Apostólica Amoris Laetitia

1) Em 04 set. 2017, o site Fratres in Unum publicou uma matéria intitulada “Papa Francisco: excertos do livro onde ele diz tudo.” (Disponível em: <https://fratresinunum.com/2017/09/04/papa-francisco-excertos-do-livro-onde-ele-diz-tudo/>. Acesso em: 25 set. 2017).

1.1) Interessando-nos mais intensamente naquele momento o seguinte trecho da matéria:

Pode-se dar a comunhão aos divorciados?

Papa Francisco: (…) há o que eu fiz depois dos dois sínodos, Amoris laetitia… É algo claro e positivo, que alguns com tendências muito tradicionalistas combatem dizendo que não é a verdadeira doutrina. A respeito das famílias feridas, digo no oitavo capítulo que existem quatro critérios: acolher, acompanhar, discernir as situações e integrar. E essa não é uma norma fixa. Isso abre uma via, um caminho de comunicação. Perguntaram-me imediatamente: “Mas pode-se dar a comunhão aos divorciados?”. Eu respondo: “Fale, então, com o divorciado, converse com a divorciada, acolham, acompanhem, integrem, discirnam!” Infelizmente, nós sacerdotes, estamos acostumados com normas fixas. Com padrões fixos. E é difícil para nós “acompanhar no caminho, integrar, discernir, elogiar”. Mas a minha proposta é essa. (…) O que realmente acontece é que se ouve as pessoas dizerem: “Eles não podem comungar”, “Eles não podem fazer isso e aquilo”: a tentação da Igreja está aí. Mas não, não e não! Esse tipo de proibições é o que se encontra no drama de Jesus com os fariseus. O mesmo! Os grandes da Igreja são aqueles que têm uma visão que vai além, aqueles que compreendem: os missionários. (Parte da matéria que mais nos interessou para comentar).

1.2) E no dia 07 set. 2017 fizemos o seguinte comentário:

Ele deu a verdadeira interpretação de Amoris Laetitia:

“É algo claro e positivo, que alguns com tendências muito tradicionalistas combatem dizendo que não é a verdadeira doutrina.”


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Quanto à Exortação Apostólica Amoris Laetitia,


Não se trata simplesmente e somente de Erros Perigosos à Fé.


Tem heresia.


A pertinácia é que ele até agora não retrocedeu e também porque ele parte de uma concepção estável já formada antes da confecção do Documento.


“Mas pode-se dar a comunhão aos divorciados?”. Eu respondo: “Fale, então, com o divorciado, converse com a divorciada, acolham, acompanhem, integrem, discirnam!”


“Infelizmente, nós sacerdotes, estamos acostumados com normas fixas. Com padrões fixos.”


“Mas não, não e não! Esse tipo de proibições é o que se encontra no drama de Jesus com os fariseus.”


Proposição Herética: Não é sempre que o adultério e a fornicação constituem pecado grave.


Proposição Herética: O pecado grave não necessariamente é um impedimento para receber a comunhão sacramental.


Proposição Herética: É admissível que se dê comunhão aos divorciados recasados.


Está muito claro que não se trata apenas de “divorciados”, mas de “divorciados recasados”. Se ainda restam dúvidas, vamos então pegar Amoris Laetitia pra ler e conferir se se trata realmente de “divorciados recasados”.


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Pra mim, pessoalmente, é um documento intensamente herético com heresia implícita e explícita. Algo muito estranho no momento presente, em que os documentos perigosos à Fé não possuíam tamanha objetividade ou gravidade, e sempre vinham acompanhados de uma Nota Doutrinal de reinterpretação.


A partir do fato de Amoris Laetitia, uma nova análise sobre infalibilidade da Igreja e do Papa se faz urgente.


Está em causa uma questão de Moral Revelada infalivelmente declarada e praticada pelo Magistério Ordinário e Universal da Igreja. Um objeto de Fé divina (fide credenda) e não apenas fide tenenda.


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Haverá uma Nota Doutrinal no Pontificado de Francisco alterando a referida Exortação Apostólica?


É certo que a Igreja do presente não pode parar e esperar pra ver se isto vai acontecer. (Comentário nosso no mesmo site, sobre a matéria).


1.3) Dessa forma, embora sem pretender apresentar-nos como mais santos, mais fiéis, mais puros etc que os outros, muito pelo contrário, reconhecendo nossa situação pessoal miserável, ainda assim acusamos o Papa de pelo menos sustentar, ensinar e propor heresias por meio da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

2) Em 15 set. 2017, o site Fratres in Unum publicou a matéria intitulada “O caso Seifert: quem está se separando da Igreja?” (Disponível em: <https://fratresinunum.com/2017/09/15/o-caso-seifert-quem-esta-se-separando-da-igreja/>. Acesso em: 25 set. 2017).

Em que fizemos, no dia 16 set. 2017, o seguinte comentário:

“Outros exemplos de doutrinas morais, ensinadas como definitivas pelo Magistério ordinário e universal da Igreja, são o ensinamento sobre a iliceidade tanto da prostituição (Catecismo da Igreja Católica, n. 2355) como da fornicação.(Catecismo da Igreja Católica, n. 2353)” (Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal explicativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei, n. 11).

“O objeto da escolha por si só pode viciar o conjunto de determinado agir. Existem comportamentos concretos – como a fornicação – cuja escolha é sempre errônea, pois escolhê-los significa uma desordem da vontade, isto é, um mal moral.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1755).


“É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem.” (Catecismo da Igreja Católica n. 1756).


“O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2384).


“O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2390).


“A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana… Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2353).


E mais a ininterrupta declaração e prática dessas verdades dogmáticas na Tradição e sua clara doutrina expressa na Escritura. Portanto, além de ser Moral Natural é Moral Revelada.


Qualquer atenuante que possa ser aplicado nestes casos, apesar de tornar o pecado menos grave, não o faz deixar de ser pecado grave (ou pecado mortal).


Portanto, tem-se duas famílias nestes casos de divorciados recasados: 1) A família legítima oriunda do casamento legítimo e válido; 2) A família falsa oriunda do adultério e pecado grave contínuo quando os dois cônjuges separados ainda vivem.


“o apóstata da fé, o herege e o cismático incorrem em excomunhão latae sententiae” (CDC, cân. 1364, § 1).


“Realizada a violação externa, presume-se a imputabilidade, a não ser que conste outra coisa.” (CDC, cân. 1321, § 3).


“Quem nega as verdades definitivas da Igreja assume uma atitude de recusa de verdades da doutrina católica e, portanto, já não estaria em plena comunhão com a Igreja Católica.” (cfr. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal explicativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei, n. 6, 29 jun. 1998).


O seguidor do herege ou que esteja em comunhão de fé com o herege, também herege o é. (Comentário nosso no site sobre a matéria).


E dessa forma, buscamos apresentar a doutrina que fundamentou nossa acusação de heresia contra o Papa Francisco e a Exortação Apostólica Amoris Laetitia; acusação que fizemos no comentário da matéria anterior.

É o resumo.

3) Dado o exposto,

CONFIRMAMOS no momento presente o conteúdo dos dois comentários supra.

CONFIRMAMOS a acusação que fizemos no primeiro comentário supra.

ACUSAMOS o Papa Francisco de favorecer, ensinar e propor heresias por meio da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

ACUSAMOS a Exortação Apostólica Amoris Laetitia como um documento intensamente herético apresentado como documento católico e pastoral católica.

DEFENDEMOS que a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, se não for suficientemente corrigida, não pode ser tida por documento, ensinamento ou pastoral católicos, em suas partes heréticas, sobretudo no capítulo VIII.

PROFESSAMOS a impossibilidade de a Igreja Católica ensinar, propor ou impor heresia, logo, o que é herético não é da Igreja, não conta com qualquer autoridade da Igreja e nem pode ser atribuído à Igreja.

CONDENAMOS os seguidores das heresias da Amoris Laetitia como hereges, enquanto aderem e professam as heresias da mesma.

DECLARAMOS que qualquer autoridade eclesiástica, e mesmo a papal, perde sua eficácia e não pode exigir obediência, submissão, adesão e comunhão de fé, quando propagam de diversas formas, principalmente por meios e documentos oficiais da Igreja suas [das pessoas detentoras do poder de autoridade eclesiástica] heresias.

DECLARAMOS que absolutamente ninguém é obrigado a aderir, obedecer, praticar e se submeter a qualquer intervenção eclesiástica herética, perigosa à fé ou aos costumes ou que possa prejudicar, e mesmo impedir, a prática dos mandamentos e a salvação eterna.


Santo Antônio de Pádua – RJ, 25 de setembro de 2017.



Vitor José Faria de Oliveira

Tradicionalismo Católico Sempre - TCS